segunda-feira, 15 de abril de 2013

Depressão: Quando é preciso desfragmentar o Cérebro! - PARTE 1


 
(ainda em correção :) )

Confesso ter ficado assustado quando dei de cara com esta analogia, que captei voando por aí: a necessidade de desfragmentação do computador é a prova que os dados bagunçados podem causar problemas...

   Tudo bem, mas o que é desfragmentar o computador? Vejamos direto do site da Microsoft:

"A fragmentação ocorre ao longo do tempo à medida que você salva, altera ou exclui arquivos. As alterações que você salva para um arquivo são, com freqüência, armazenadas em um local no disco rígido diferente do arquivo original. Outras alterações são salvas em mais outros lugares. Com o tempo, tanto o arquivo quanto o disco em si se tornam fragmentados, e o computador fica mais lento por ter que procurar em muitos locais diferentes para abrir um arquivo.
O desfragmentador de Disco é uma ferramenta que reorganiza os dados no disco rígido e reune arquivos fragmentados para que o computador trabalhe de forma mais eficiente".

Aqueles que já sofreram de depressão profunda entenderão perfeitamente o peso que se torna, nestes casos, o simples ato de respirar, quanto mais lidar com os conteúdos emotivos, desconexos e dolorosos.
O indivíduo em crise depressiva nada mais procura que uma solução para seu problema, a qual ele mesmo não se sente capaz de alcançar, procura então em objetos externos, ou mesmo não procurando nada, em casos mais graves. Lembro-me de quando ficamos 20 dias dentro do quarto à espera daquilo que só nós poderíamos fazer, mas não conseguíamos e nem sabíamos disso à época.
Mais a depressão é a ponta do processo, é a febre, que teve por estrada o sólido arenito sócio-genético, mas por gatilho o limite da desagregação da personalidade, de sua submissão a outros grupos coesos em ascensão autônoma no inconsciente, verdadeiros nódulos psíquicos descontínuos a pesar no processamento mental, muito similar ao que ocorre com o HD(1) da máquina após inúmeras alterações nos arquivos.
Estamos já convencidos com as informações espirituais de que nosso mundo é representação tosca das realidades extra-materiais. Embora no limite seja equivocada a analogia cérebro-computador, como diz Maturama (2), a arquitetura do PC se assemelha em muito ao modo como funciona o sistema nervoso e não nos dedicaremos a convencer o leitor desta imagem que se está longe de ser exata, não dribla nossas suposições para tal, o que levou Kasparov a tentar, tentar... até que o IBM Deep Blue o venceu numa partida de xadrez; ou mesmo as decorrências deste sentimento que deram bônus para muitas produções cinematográficas do gênero, como em "O Exterminador do Futuro", e aí vai... Nâo só a comparação cérebro-máquina, mas o sentimento coletivo de que a máquina ganhará vida... embora cremos que não, de fato.
E é justamente quando o HD está cheio de recapitulações e regravações dos mesmo dados, inseridos pelo teclado da experiência de estar no mundo, é que caímos nos quadros depressivos.
Vamos agora refletir como desfragmentar este disco imenso?
Continua....
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REFERÊNCIAS
(1) Hard Disk - Disco rígido no qual são armazenadas as informações binárias do computador.
(2) MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. Trad. Humberto Mariotti; Lia Diskn. 2ª ed. São Paulo: Palas Athena, 200

sábado, 13 de abril de 2013

Espíritos Obsessores x Neuroses: Temos coragem de encarar esta questão?




Allan Kardec foi o codificador da Doutrina dos Espíritos, sintetizador do destino das necessidades espirituais de uma era, imersa no negativismo e descrença; o século XIX se configurava numa espécie de "fim dos trilhos" dos últimos resquícios da era (e da fé) medieval crista.

  Em seu trabalho, juntou as mensagens e inspirações recebidas pelos médiuns espirituais e, como outros movimentos fora do seio da madre igreja, deu nova interpretação e fôlego surpreendentes aos escritos cristãos, abrindo as portas para  o que se consolidaria pela Doutrina Espírita da qual o Brasil é, inquestionavelmente, a locomotiva.

  Como toda doutrina, a DE estabeleceu seus postulados mas em sues longos 150 anos, inevitavelmente, deu margem aos seus "dogmas", se entendermos por "dogmas" a acepção de "qualquer discurso ou ideologia de teor inquestionável", e tão somente isto. Sabemos do incômodo da palavra nos meios espíritas, por lembrar a liturgia católica... No entanto, avaliamos ser prejudicial repetir-se indefinidamente que não existem no contexto da DE, pois apenas adiaremos o enfrentamento que devemos ter com nossas próprias verdades, neste caso, coletivas.


 Mas, era para ser assim? De forma alguma. Kardec insistiu e se prontificou a impedir o recrudescimento de verdades inquestionáveis na Doutrina quando colocou a possibilidade de seu desenvolvimento aos predecessores e o famoso "controle universal dos espíritos". Mas  não estranhamos... Assim como Jesus anunciou o Consolador como esclarecedor de suas palavras e tão logo subiu aos céus os homens trataram de burocratizar e petrificar o cristianismo, o mesmo aconteceu e acontece nos degraus infindáveis da DE; neste momento nos referimos ao conceito/dogma da obsessão.



  Embora a obsessão por espíritos seja postulado antigo, encontrado na origem dos povos e nos arquétipos humanos, vale notar sua atualidade no seio da sociedade contemporânea; tampouco é privilégio dos assuntos espíritas, coexistindo em manejo nas igrejas pentecostais e neo-pentecostais. Chamados de encostos, diabos, irmãos inferiores... são, em um corte transversal, ideologicamente do mesmo tecido: perturbadores da paz dos homens e razão de seus males, muitas vezes, de suas maldades.



Todavia, aqui entramos no campo delicado. 



Como espírita e médium, nunca poderia questionar a realidade do mundo espiritual, que já presenciei de várias formas, em vários graus de intensidade, nos seus cumes de luz e nos lodaçais sombrios... Aprendi que tanto o bem quanto o mal vão além da ideia que fazemos deles e existem no mundo e nos seres, aqui e no plano maior. 


Todavia, trago aqui a questão incômoda: será que a maioria das vezes o suposto obsessor não é uma parte de nós mesmos, a agir autonomamente? Em nossas palestras e conversas com confrades espíritas, observamos a dificuldade em avaliar a questão se, no caso, o que chama-se obsessão, nos quadros mais leves, não se trata de neuroses. Cabe aqui então entender o que é uma neurose e também verificar se pode-se tomar uma por outra. Vamos encarar esta?


No sentido clássico, standard, de uma forma bem resumida, a neurose pode ser entendida como um estado de desequilíbrio condicionado por um aglomerados de energias psíquicas que, não tendo sido devidamente digeridas pela consciência, ganharam autonomia inconsciente, quase como um "outro ego", nas palavras de Jung. Para aqueles que não acreditam no inconsciente, não há como negá-lo mais... Basta refletir nas situações em que iríamos dizer uma palavra e dizemos uma outra, o chamado "lapsus linguae". Questões: Como meu aparelho fonador pôde ser acionado e regido com tamanha precisão,  organizando uma palavra/frase totalmente inteligível, quando eu iria dizer outra coisa? Como explicar que existiu um momento em que eu era um espectador e tive de me corrigir no que acabei de dizer, como se eu fosse um outro? Ou será que realmente me corrigi, ou corrigi a um outro? 


O ato falho é apenas um dos indícios da atividade inconsciente, dentre outros. Freud teve o grande mérito de trazer à consciência da humanidade a existência deste outro, inconsciente (o próprio inconsciente inconsciente, com perdão ao jogo de conceitos). Deste inconsciente, a psicanálise trouxe a lume as causas da maioria dos sofrimentos psíquicos: as lembranças reprimidas e parasitas dos estados lúcidos. Todavia para Freud e seus seguidores puros, as lembranças começavam na vida corpórea, única concebível, mas para as escolas posteriores e mais abertas aos fatores espirituais, estas lembranças podem e são por vezes heranças trazidas pelo Espírito.


Contudo, fugindo do caráter extenso destes assuntos, nos aferramos à seguinte questão aqui: Podemos ter tratado as neuroses por obsessões? Cremos que sim. E isto para prejuízo de todos... Explicamos.


 Se por acaso um núcleo coeso perturbador vaga por nosso inconsciente, do tipo: meu pai me repreendia e corrigia sistematicamente e, embora eu conscientemente nunca me dou conta disto às claras,  toda vez que alguém tenta me corrigir eu sofro, enfrento, tento fazer prevalecer minha opinião, fico com rancor da pessoa, etc... Assim, toda vez que esta situação se apresentar, se a tratarmos como obsessão (não que não exista destas), como perturbação dos irmãos inferiores, estaremos errando em: 1) Tirar a responsabilidade dos reais atuantes para estes estados, delegando a causa a um agente externo, que pode não existir no momento;  2) Empurrar a neurose poço abaixo, esmagando-a no inconsciente, de onde ela um dia certamente voltará; 3) Criar a mentalidade de que o homem é mais responsável pelos seus estados de bondade do que pelos de desarmonia.


 Assim, observamos que tal procedimento, tão comuns na atividades espiritualista, pode derrocar em fracasso e prejuízo do crescimento pessoal. O mesmo fracasso não parece, a nosso ver, quando tomarmos uma obsessão leve por uma neurose, mesmo que não o seja. Neste caso, supondo-se uma pessoa estar ou acreditar estar sob influência de um mal espírito, que lhe inflige maus pensamentos, a consideração desta por aquela pode redundar em resultados positivos, à revelia do "erro", isto porque a neurose pode ser encarada como um ser autônomo, que exige compreender-se e integrar-se.


A escola psicanalítica junguiana, embora denomine-se psicologia analítica, viu estes "entes" como outros egos, o que dava margem a tratá-los como autônomos. Visto desta forma, o fato de ser um espírito o perturbador ou um núcleo denso de sentimentos coesos e contíguos não influi no procedimento, pois o foco do processo de acesso sempre estará à caça deste intro-extra-ente, sendo posteriormente irrelevante se tratou-se de um outro-ego interno ou externo.

Muitas decorrências se dão a partir destas colocações, que sabemos serem para um trabalho mais próprio, que aqui não cabe, mas daremos cabo ainda às estradas abertas aqui.

É um ponto vista numa constelação de propostas e saberes que, como todos eles, será julgado pelo tempo, e pelo espaço...Claro!

Saudações

Rogério Temporim