terça-feira, 29 de outubro de 2013

Keppe: O Fator Transcendente E Suas Repercussões No Aparelho Freudiano

Keppe: O Fator Transcendente E Suas Repercussões No Aparelho Freudiano
Por Rogério Temporim

Não nego a alcova espírita na qual durmo todas as noites do meu labor mental, embora seja tenro psicanalista e isto pareceria me agredir... Também não posso negar que tinha por certo que a porta de entrada de Freud era a de saída da minha profissão de fé espírita, por isso emperrei várias vezes no portal (de jacarandá, que dava numa sala, pé direito fantasmagórico, estantes escuras e abarrotadas de livros, também escuros e de capa dura; um divã de veludo na diagonal...)... Contudo, imagens à parte, nosso julgamento é pessoal, não resolve o mundo de possibilidades já dadas e ainda não constatadas pessoalmente. Ademais, o julgamento também tem seus motivos inconscientes... Nisso sempre penso lembrando: que maravilha é a técnica de Sigmund Freud!
Foi então, cavando muito nos terrenos pedregosos da psicanálise, removendo os escombros de minha resistência, que encontrei algumas luzes a guiar meu “espírito” e destas luzes, não posso negar ser a mais robusta e multicor a de Norberto Keppe.
Sua proposta pareceu-me despretensiosa e na primeira vez, li algumas páginas e descansei o livro... Voltei para Melanie Klein, ou ao que diziam dela[1]...
Mas é mesmo a velha resistência, e não podia persistir no mesmo erro de novo, de novo, de novo. (Des)voltei, continuei a ler e fui tragado para um outro chão, muito mais sólido e condizente com minha natureza e, creio, a de todo ser humano em legitimidade.
Norberto Keppe é um psicanalista que, após a formação clássica em Viena, não se conformou com o anti-humanismo da escola de Freud e procurou conceituar, para atrás da técnica (indiscutivelmente eficaz), um fundo mais legítimo com o fator inegável da história das civilizações: a transcendentalidade. De posse do dado sabido que não houve nenhum povo legitimamente ateu na humanidade[2], considerando a força dos conceitos das contribuições de Jung, Keppe desenvolveu um pano de fundo consistente e, intuitivamente, mais coerente com a aspiração espiritual humana.
Aqui, faz-se necessário um conhecimento de alguns conceitos da psicanálise, facilmente encontrados[3].
A consciência é o contato com o exterior e há o inconsciente[4] pessoal[5]. Até aqui vai Freud. A partir de Jung, o inconsciente coletivo[6] é conceituado, este formado pelos arquétipos (ideias eternas, presentes em todos os povos).
Dos arquétipos Junguianos, Keppe separa as instâncias de moralidade para o que chama de transtipos, que são aspirações sublimes, como a da existência de um Criador, da imortalidade do espírito, etc. Ao lado dos Inconscientes Pessoais e Coletivos, conceitua o Transconsciente,  também um pessoal e outro coletivo. Assim, a predisposição inata do homem à transcendência, manifesta nas mais variadas formas de religiosidade, ganha o lugar especial no aparelho psíquico Keppiano. Aqui, ilustramos com imagem e palavras do próprio senhor Keppe:

 
 

Não temos aqui intenção outra senão pinçar esta outra estrada teórico-prática no complexo viário da psicanálise, bem como para divulgá-la entre leigos e psicanalistas; o leitor interessado poderá se aprofundar nos textos do próprio senhor Norberto[8]. Sua atividade clínica, nas décadas, comprovou a concomitância entre neurose e crise existencial/religiosa, mostrando também como os psicanalisados na clínica clássica tiveram de, necessariamente, abafar sua transcendentalidade e instituir um viver robótico e, por vezes, amargo.
 É sabido das aspirações místicas do próprio Freud[9] e do caminho que seus escritos tomaram em seus últimos trabalhos[10], como se mostrasse o próprio caminho do indivíduo humano que, perdido entre as racionalizações de uma vida pós-moderna, terá de confrontar-se com a carência transcendental e as decorrentes questões profundas da existência humana.  Keppe vai além, diz que este caminho biográfico dao mestre “mostra-nos também como deveria ser realizado o processo  de psicanálise, isto é, a profunda necessidade de se explorar juntamente com o inconsciente, ou após este trabalho, o lado espiritual do neurótico, caso se deseje que sua recuperação seja completa.”
            Quanto ao eco destas teorias dentro das linhas ortodoxas, não me atreverei adentrar, pois acredito que a coerência dos pensamentos, estes enquanto sistemas para dentro de si mesmos, é justamente o que garante a pertinência das correntes antagônicas e o combustível do discurso refratário... Peço, assim, licença à ortodoxia para incluir aqui também o meu.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Resenha do Livro "Diário de Minha Análise com Sigmund Freud", de Smiley Blanton


    Smiley Blanton foi um psicólogo norte-americano que submeteu-se a tratamento psicanalítico com Sr Sigmund Freud. O senhor Blanton desejava ser analista e às custas de muito esforço e indicações consegue suas sessões com Freud, que se estendem entre 1929 e 1938, com interrupções. Ia ao encontro de Freud em sua casa em Viena e posteriormente, com o exílio de Freud, vai visitá-lo em Londres. Muitas informações sobre a época e seus acontecimentos, mesmo comentários pessoais feitos por Freud, são trazidos às anotações, estas feitas com aval do pai da psicanálise que a elas não mostrou objeção alguma.

      Quando vimos este livro, apresentou-se, ao menos na capa, como uma porta para o consultório de atendimento de Freud, era só abrir e deitar no divã... Devo confessar que não fomos decepcionados, pois o livro realmente coloca o leitor em posição privilegiada nas cenas em que veria-se o mestre em ação!

     Todavia, vale ressaltar que o livro é uma obra organizada post mortem, não tendo sido publicado nem finalizado pelo autor; são anotações das sessões organizadas e publicadas por sua esposa, Margaret Blanton, que pelas notas e comentários mostra grande competência intelectual, o que é asseverado mesmo por Freud, em uma das sessões de Smiley Blanton.

   
    Diários de analisandos de Freud existem em número considerável. No presente, cremos que os pontos por nós acentuados são de uma importância bivalente. Assim o são porque sempre ocorrem em duas facetas inusitadamente concomitantes: Freud (em dado(s) momento(s)) quebra protocolos da dita "neutralidade" de analista e, nestas brechas, diz coisas interessantes, por que não espantosas, para a imagem default do mestre.

     
 Sobre a educação com amor

      Na sessão do dia 23 de Janeiro de 1930, o senhor Smiley faz um comentário sobre não concordar com a teoria da inferioridade de Adler. Nisto, Freud lhe diz: "... A criança que é realmente amada não se sente inferior... O desejo que a criança tem de atenção e apenas um desejo diminuído de amor...". Por fim, após um comentário do paciente diz: "É verdade, uma educação de ódio deve ser substituída por uma educação de amor!"

Sobre a religiosidade em Freud

     Em 6 de Agosto de 1935, o senhor Smiley demonstra na sessão seu sofrimento em relação À cura de seus pacientes. Freud então quebra a neutralidade e diz: "Não se perturbe muito... o senhor me dá a impressão de um excessivo esforço... Faça um trabalho tão completo quanto possível...". Então, em atitude impensada para muitos leitores de psicanálise (incluindo eu), ele cita uma expressão que está no túmulo de Paré, sugerindo que é assim que deveriam trabalhar: "Tratei os meus pacientes - Deus os curou". Parece que o espanto também foi ao senhor Smiley, que alega não ter entendido, no que Freud repete a frase sui generis.

    Ainda em1935, à insistência de Blanton sobre como tratar melhor seus pacientes, Freud insisti: "Talvez o senhor fique muito angustiado com seus pacientes. O senhor precisa deixar que fiquem mais livres...". E como que reivindicando da mesma liberdade , lhe diz: "Deixe que encontrem sua salvação...".

    Na sessão de 31 de Agosto de 1938, falava o paciente do plano de escrever um livro com o Dr Peale, pastor protestante, sobre problemas humanos diversos. Freud pede mais esclarecimentos sobre e depois diz: "Ah! sim. Isso parece bem possível". O Senhor Smiley então desabafa: "Não vejo razão para que eu não possa fazer este trabalho de igreja sem prejudicar minha posição na psiquiatria e os padrões psicanalíticos". Freud responde: "Também não vejo razão para isto".



Sobre Telepatia e Clarividência

    Citando Smiley: " tinha visto a revista de parapsicologia... mencionei o trabalho de Rhine sobre clarividência e telepatia... O professor não conhecia este trabalho, mas ficou interessado... e disse: - Aí existe alguma coisa."

    É sabido que Freud se interessou pelos assuntos da parapsicologia mas alegou falta de tempo para pesquisá-los. Mas é sempre interessante e inusitado vindo esta declaração de um ambiente privado como este.

----

  Evidentemente, muitos foram os assuntos tratados e aqui trouxemos nossa leitura para o que nos chega com certa novidade. Todavia, é dever citarmos também a frase dita por Freud, numa das sessões: "Ah! Essas coisas de espíritos não existe!", para não acabarmos como tendenciosos, o que não macula a sensação de que há outros Freuds soltos por aí à espera de um detetive de estantes!

  Sobre o "Diário de Minha Análise com Sigmund Freud", é um livro leve, intrigante e de leitura fascinante para psicanalistas e amantes do assunto, uma aula memorável de amor, amizade e psicanálise!
Saudações!
R. Temporim


BIBLIGRAFIA

BLANTON, Smiley. "Diário de Minha Análise com Sigmund Freud". São Paulo. Ed. Nacional. 1975


 





quarta-feira, 31 de julho de 2013

O caso de uma criança sabotada


 Na semana pregressa estive trabalhando com uma atriz numa tarefa muito prazeroza: a contaçãod e histórias.

 Como corriqueiramente, a arte da contação de histórias terá sua performance para um público predominantemente infantil, que inclue em geral também os pais e familiares das crianças.

 Foram algumas sessões (mais de dez...), em vários lugares e algumas delas deixaram lembranças marcantes; aqui, trarei ao lume as reflexões que me propuseram um desses encontros artistas-público.

 Após todas estas contações de histórias, eram oferecidos lapis e papel às crianças para que, através de desenhos, recontassem a história em quadros, atividade que logo despertava grande alvoroço e agitação entre crianças e pais. Contudo, ao "inspecionar" por entre as famílias que desenhavam e  pintavam, deparei-me com um núcleo singular: a criança olhava para uma folha em branco, enquanto mãe e avó (deduzi serem estas), meio desconcertadas, olhavam-se e aguardavam a minha passagem. Ao que cheguei e perguntei (à criança):

  - MInha querida, não vai pintar nada? O que você sabe desenhar?

Prontamente, a mão protecionou: - Não, ela não consegue desenhar nada não!

  Num repente inevitável, disse como que fora de mim: - Claro que ela desenha! Quer ver: desenha então a nuvenzinha para o tio!

  Era tarde demais... Havia tocado, de modo pouco educado, naquela chaga familiar... Mãe e avós se olharam e ficaram como que em uma expectativa indefinida... e pavorosa: a menina,  encorajada pela intrépida intervenção (a qual fiz sem mesmo pensar em fazer), começou a  rabiscar algo. Enquanto isso,eu percebia que ali naquela célula estava um quadro de maior complexidade e antes que a mãe viesse a me interpelar sobre estar "pressionando" a filha e tal (o que seria natural), me afastei...

  Idas e vindas pela sala (em que eu tinha apenas a mesa da menina às vistas), retorno à mesa e vejo o que parecia a "nuvenzinha" pedida por mim e uma árvore desenhada, aliás bem desenhada! Percebi na hora que não devia ter sido a menina, que contaria com uns 2 ou 2,5 anos de idade. Mas, mesmo para animá-la, naqueles processos necessários para a idade, disse aos olhos de todos: - que desenho bonito você fez com sua mamãe! Que árvore bonita!

  Cabe ao leitor saber de prévio que, naquele momento, minha atividade psicanalítica não estava em foco, assim,  minhas intervenções não tiveram a intenção de salientar qualquer jogo de relações naquela família... Todavia, a saliência não se resguardou de verificação. A mãe não se conformou: 

- Não! Não foi ela quem desenhou, fui eu! Eu fiz a árvore sozinha!

  Por pouco não vi ali uma sala, uma poltrona, um paciente, o setting montado: olhei automaticamente para a avó, que (como pré-vira) fazia um gesto de desdém com a cabeça. 

  Claro estava o triste quadro em que aquela menininha agora perpetuava uma das posições. Avó sempre subestimando sua filha, desde pequena, ação que esta repetia agora com a pequena menininha, já que só a incapacidade da próxima podia alimentar o narcisismo (insegurança) da anterior. Círculos de punição e vingança que dificilmente podemos detectar sozinhos, quaisquer um de nós. Não às culpo inteiramente deste nefasto circuito.

  Imediatamente (e agora consciente do que acontecia), disse para a menininha: - Ah! Mas agora ela vai completar o desenho, coloca uma chuvinha pro tio!

  Ela começou a fazer riscos, representando a chuva, e a mãe, num misto de alegria e tristeza, deixou cair a bolsa no chão, pois havia uma intrusão desconcertante à sabotagem, uma posição desconfortável entre eles, inexistente antes, que poderá ser ocupada e, se o for, desvirtuará o ciclo doentil para a (inconveniente) liberdade.


---------------------------------------
 Rogério Temporim


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Keppe: O Fator Transcendente E Suas Repercussões No Aparelho Freudiano

Por Rogério Temporim

Não nego a alcova espírita na qual durmo todas as noites do meu labor mental, embora seja tenro psicanalista e isto pareceria me agredir... Também não posso negar que tinha por certo que a porta de entrada de Freud era a de saída da minha profissão de fé espírita, por isso emperrei várias vezes no portal (de jacarandá, que dava numa sala, pé direito  altíssimo, estantes escuras e abarrotadas de livros, também escuros e de capa dura;  um divã de veludo na diagonal...)... Contudo, imagens à parte, nosso julgamento é pessoal, não resolve o mundo de possibilidades já dadas e ainda não constatadas pessoalmente. Ademais, o julgamento também tem seus motivos inconscientes... Nisso sempre penso lembrando: que maravilha é a técnica de Sigmund Freud!
Foi então, cavando muito nos terrenos pedregosos da psicanálise, removendo os escombros de minha resistência, que encontrei algumas luzes a guiar meu “espírito” e destas luzes, não posso negar ser a mais robusta e multicor a de Norberto Keppe.
Sua proposta pareceu-me despretensiosa e na primeira vez, li algumas páginas e descansei o livro... Voltei para Melanie Klein, ou ao que diziam dela[1]...
Mas é mesmo a velha resistência, e não podia persistir no mesmo erro de novo, de novo, de novo. (Des)voltei, continuei a ler e fui tragado para um outro chão, muito mais sólido e condizente com minha natureza e, creio, a de todo ser humano em legitimidade.
Norberto Keppe é um psicanalista que, após a formação clássica em Viena, não se conformou com o anti-humanismo da escola de Freud e procurou conceituar, para atrás da técnica (indiscutivelmente eficaz), um fundo mais legítimo com o fator inegável da história das civilizações: a transcendentalidade. De posse do dado sabido que não houve nenhum povo legitimamente ateu na humanidade[2], considerando a força dos conceitos das contribuições de Jung, Keppe desenvolveu um pano de fundo consistente e, intuitivamente, mais coerente com a aspiração espiritual humana.
Aqui, faz-se necessário um conhecimento de alguns conceitos da psicanálise, facilmente encontrados[3].
A consciência é o contato com o exterior e há o inconsciente[4] pessoal[5]. Até aqui vai Freud. A partir de Jung, o inconsciente coletivo[6] é conceituado, este formado pelos arquétipos (ideias eternas, presentes em todos os povos).
Dos arquétipos Junguianos, Keppe separa as instâncias de moralidade para o que chama de transtipos, que são aspirações sublimes, como a da existência de um Criador, da imortalidade do espírito, etc. Ao lado dos Inconscientes Pessoais e Coletivos, conceitua o Transconciente,  também um pessoal e outro coletivo. Assim, a predisposição inata do homem à transcendência, manifesta nas mais variadas formas de religiosidade, ganha o lugar especial no aparelho psíquico Keppiano. Aqui, ilustramos com imagem e palavras do próprio senhor Keppe:

Não temos aqui intenção outra senão pinçar esta outra estrada teórico-prática no complexo viário da psicanálise, bem como para divulgá-la entre leigos e psicanalistas; o leitor interessado poderá se aprofundar nos textos do próprio senhor Norberto[8]. Sua atividade clínica, nas décadas, comprovou a concomitância entre neurose e crise existencial/religiosa, mostrando também como os psicanalisados na clínica clássica tiveram de, necessariamente, abafar sua transcendentalidade e instituir um viver robótico e, por vezes, amargo.
 É sabido das aspirações místicas do próprio Freud[9] e do caminho que seus escritos tomaram em seus últimos trabalhos[10], como se mostrasse o próprio caminho do indivíduo humano que, perdido entre as racionalizações de uma vida pós-moderna, terá de confrontar-se com a carência transcendental e as decorrentes questões profundas da existência humana.  Keppe vai além, diz que este caminho biográfico dao mestre “mostra-nos também como deveria ser realizado o processo  de psicanálise, isto é, a profunda necessidade de se explorar juntamente com o inconsciente, ou após este trabalho, o lado espiritual do neurótico, caso se deseje que sua recuperação seja completa.”
                Quanto ao eco destas teorias dentro das linhas ortodoxas, não me atreverei adentrar, pois acredito que a coerência dos pensamentos, estes enquanto sistemas para dentro de si mesmos, é justamente o que garante a pertinência das correntes antagônicas e o combustível do discurso refratário... Peço, assim, licença à ortodoxia para incluir aqui também o meu.
São Paulo, 07 de Julho de 2013
Rogério Temporim


[1] SIMON, Riad – Introdução à Psicanálise: Melanie Klein
[2] Max Beer – História do Socialismo e das Lutas sociais.
[3] Digitar cada termo em negrito na internet ou consultar a vasta bibliografia de psicanálise e psicologia.
[4] Por apenas inconsciente estaremos dentro dos postulados freudianos, haja que para ele só há um inconsciente, o pessoal.
[5] Quando é agregado o termo pessoal ao inconsciente, esta composição faz oposição ao inconsciente coletivo e o terreno já é junguiano.
[6] Aqui, Keppe considera uma teoria exclusiva  de Carl Jung
[7] Extraído do livro em referência na nota 8 (pg 15)
[8] KEPPE, Norberto. Psicanálise Integral. São Paulo. Ed Proton. 2004 (Seg Ed)
[9] JONES, Ernest. Vida e Obra de Sigmund Freud
[10] Das últimas obras de Freud: Uma Neurose Demoníaca[..], O Futuro de Uma Ilusão, Uma Experiência Religiosa.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Terapia Psicanálise Via Web - Consulta SOCIAL - Ajudem a divulgar!

 
 
Amigos.

   Depressão, pânico, baixa estima e outros transtornos são sofrimentos inimagináveis... Todavia, a condição financeira a que somos levados nestas situações são outro problema, vindo na pior hora...

   Assim, estamos também  atendendo via WEB, pelo SKYPE, na modalidade SOCIAL.]
 
   Os atendimentos via SKYPE na modalidade SOCIAL não tem um valor definido para consulta.  A terapia é feita mediante doação de qualquer valor feita ao fim da QUARTA SESSÃO em conta indicada por nós. Este compromisso é de cavalheiros, sem nenhuma garantia a não ser a palavra do cliente e a confiança desde já depositada no paciente. Para que haja valor ao tratamento de ambas as partes, apesar de condicionado pelas limitações financeiras do paciente, o valor doado será o melhor que o paciente poderá fazer em retribuição ao serviço prestado, sendo o serviço o melhor que o psicanalista pode fazer pelo paciente.
 
Porque faço assim: Dois motivos:
1) Porque estamos começando e precisamos manter nosso consultório e nossa atividade; em nosso consultório, no Tatuapé, também atendemos gratuitamente. Também há o ponto que trabalhamos pela divulgação da PSICANÁLISE TRANSPESSOAL ou ESPIRITUALISTA, que sofre grande preconceito e restrição no universo da psicanálise ortodoxa.

2) Porque muitas pessoas sofrem de depressão, pânico e outros males da alma e realmente não podem pagar por um tratamento presencial (Que apesar de ser em nosso consultório num valor bem acessível, muitos não podem arcar...)

Assim, ajudem a divulgar.
Os interessados, ou aqueles que conhecerem quem precise, entrem em contato através de:
As sessões são semanais, de 30 minutos, via chat de texto no SKYPE.
Saudações fraternais!

Rogério Temporim
www.rogeriotemporim.com

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Depressão: Quando é preciso desfragmentar o Cérebro! - PARTE 1


 
(ainda em correção :) )

Confesso ter ficado assustado quando dei de cara com esta analogia, que captei voando por aí: a necessidade de desfragmentação do computador é a prova que os dados bagunçados podem causar problemas...

   Tudo bem, mas o que é desfragmentar o computador? Vejamos direto do site da Microsoft:

"A fragmentação ocorre ao longo do tempo à medida que você salva, altera ou exclui arquivos. As alterações que você salva para um arquivo são, com freqüência, armazenadas em um local no disco rígido diferente do arquivo original. Outras alterações são salvas em mais outros lugares. Com o tempo, tanto o arquivo quanto o disco em si se tornam fragmentados, e o computador fica mais lento por ter que procurar em muitos locais diferentes para abrir um arquivo.
O desfragmentador de Disco é uma ferramenta que reorganiza os dados no disco rígido e reune arquivos fragmentados para que o computador trabalhe de forma mais eficiente".

Aqueles que já sofreram de depressão profunda entenderão perfeitamente o peso que se torna, nestes casos, o simples ato de respirar, quanto mais lidar com os conteúdos emotivos, desconexos e dolorosos.
O indivíduo em crise depressiva nada mais procura que uma solução para seu problema, a qual ele mesmo não se sente capaz de alcançar, procura então em objetos externos, ou mesmo não procurando nada, em casos mais graves. Lembro-me de quando ficamos 20 dias dentro do quarto à espera daquilo que só nós poderíamos fazer, mas não conseguíamos e nem sabíamos disso à época.
Mais a depressão é a ponta do processo, é a febre, que teve por estrada o sólido arenito sócio-genético, mas por gatilho o limite da desagregação da personalidade, de sua submissão a outros grupos coesos em ascensão autônoma no inconsciente, verdadeiros nódulos psíquicos descontínuos a pesar no processamento mental, muito similar ao que ocorre com o HD(1) da máquina após inúmeras alterações nos arquivos.
Estamos já convencidos com as informações espirituais de que nosso mundo é representação tosca das realidades extra-materiais. Embora no limite seja equivocada a analogia cérebro-computador, como diz Maturama (2), a arquitetura do PC se assemelha em muito ao modo como funciona o sistema nervoso e não nos dedicaremos a convencer o leitor desta imagem que se está longe de ser exata, não dribla nossas suposições para tal, o que levou Kasparov a tentar, tentar... até que o IBM Deep Blue o venceu numa partida de xadrez; ou mesmo as decorrências deste sentimento que deram bônus para muitas produções cinematográficas do gênero, como em "O Exterminador do Futuro", e aí vai... Nâo só a comparação cérebro-máquina, mas o sentimento coletivo de que a máquina ganhará vida... embora cremos que não, de fato.
E é justamente quando o HD está cheio de recapitulações e regravações dos mesmo dados, inseridos pelo teclado da experiência de estar no mundo, é que caímos nos quadros depressivos.
Vamos agora refletir como desfragmentar este disco imenso?
Continua....
--------------------------------------
REFERÊNCIAS
(1) Hard Disk - Disco rígido no qual são armazenadas as informações binárias do computador.
(2) MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. Trad. Humberto Mariotti; Lia Diskn. 2ª ed. São Paulo: Palas Athena, 200

sábado, 13 de abril de 2013

Espíritos Obsessores x Neuroses: Temos coragem de encarar esta questão?




Allan Kardec foi o codificador da Doutrina dos Espíritos, sintetizador do destino das necessidades espirituais de uma era, imersa no negativismo e descrença; o século XIX se configurava numa espécie de "fim dos trilhos" dos últimos resquícios da era (e da fé) medieval crista.

  Em seu trabalho, juntou as mensagens e inspirações recebidas pelos médiuns espirituais e, como outros movimentos fora do seio da madre igreja, deu nova interpretação e fôlego surpreendentes aos escritos cristãos, abrindo as portas para  o que se consolidaria pela Doutrina Espírita da qual o Brasil é, inquestionavelmente, a locomotiva.

  Como toda doutrina, a DE estabeleceu seus postulados mas em sues longos 150 anos, inevitavelmente, deu margem aos seus "dogmas", se entendermos por "dogmas" a acepção de "qualquer discurso ou ideologia de teor inquestionável", e tão somente isto. Sabemos do incômodo da palavra nos meios espíritas, por lembrar a liturgia católica... No entanto, avaliamos ser prejudicial repetir-se indefinidamente que não existem no contexto da DE, pois apenas adiaremos o enfrentamento que devemos ter com nossas próprias verdades, neste caso, coletivas.


 Mas, era para ser assim? De forma alguma. Kardec insistiu e se prontificou a impedir o recrudescimento de verdades inquestionáveis na Doutrina quando colocou a possibilidade de seu desenvolvimento aos predecessores e o famoso "controle universal dos espíritos". Mas  não estranhamos... Assim como Jesus anunciou o Consolador como esclarecedor de suas palavras e tão logo subiu aos céus os homens trataram de burocratizar e petrificar o cristianismo, o mesmo aconteceu e acontece nos degraus infindáveis da DE; neste momento nos referimos ao conceito/dogma da obsessão.



  Embora a obsessão por espíritos seja postulado antigo, encontrado na origem dos povos e nos arquétipos humanos, vale notar sua atualidade no seio da sociedade contemporânea; tampouco é privilégio dos assuntos espíritas, coexistindo em manejo nas igrejas pentecostais e neo-pentecostais. Chamados de encostos, diabos, irmãos inferiores... são, em um corte transversal, ideologicamente do mesmo tecido: perturbadores da paz dos homens e razão de seus males, muitas vezes, de suas maldades.



Todavia, aqui entramos no campo delicado. 



Como espírita e médium, nunca poderia questionar a realidade do mundo espiritual, que já presenciei de várias formas, em vários graus de intensidade, nos seus cumes de luz e nos lodaçais sombrios... Aprendi que tanto o bem quanto o mal vão além da ideia que fazemos deles e existem no mundo e nos seres, aqui e no plano maior. 


Todavia, trago aqui a questão incômoda: será que a maioria das vezes o suposto obsessor não é uma parte de nós mesmos, a agir autonomamente? Em nossas palestras e conversas com confrades espíritas, observamos a dificuldade em avaliar a questão se, no caso, o que chama-se obsessão, nos quadros mais leves, não se trata de neuroses. Cabe aqui então entender o que é uma neurose e também verificar se pode-se tomar uma por outra. Vamos encarar esta?


No sentido clássico, standard, de uma forma bem resumida, a neurose pode ser entendida como um estado de desequilíbrio condicionado por um aglomerados de energias psíquicas que, não tendo sido devidamente digeridas pela consciência, ganharam autonomia inconsciente, quase como um "outro ego", nas palavras de Jung. Para aqueles que não acreditam no inconsciente, não há como negá-lo mais... Basta refletir nas situações em que iríamos dizer uma palavra e dizemos uma outra, o chamado "lapsus linguae". Questões: Como meu aparelho fonador pôde ser acionado e regido com tamanha precisão,  organizando uma palavra/frase totalmente inteligível, quando eu iria dizer outra coisa? Como explicar que existiu um momento em que eu era um espectador e tive de me corrigir no que acabei de dizer, como se eu fosse um outro? Ou será que realmente me corrigi, ou corrigi a um outro? 


O ato falho é apenas um dos indícios da atividade inconsciente, dentre outros. Freud teve o grande mérito de trazer à consciência da humanidade a existência deste outro, inconsciente (o próprio inconsciente inconsciente, com perdão ao jogo de conceitos). Deste inconsciente, a psicanálise trouxe a lume as causas da maioria dos sofrimentos psíquicos: as lembranças reprimidas e parasitas dos estados lúcidos. Todavia para Freud e seus seguidores puros, as lembranças começavam na vida corpórea, única concebível, mas para as escolas posteriores e mais abertas aos fatores espirituais, estas lembranças podem e são por vezes heranças trazidas pelo Espírito.


Contudo, fugindo do caráter extenso destes assuntos, nos aferramos à seguinte questão aqui: Podemos ter tratado as neuroses por obsessões? Cremos que sim. E isto para prejuízo de todos... Explicamos.


 Se por acaso um núcleo coeso perturbador vaga por nosso inconsciente, do tipo: meu pai me repreendia e corrigia sistematicamente e, embora eu conscientemente nunca me dou conta disto às claras,  toda vez que alguém tenta me corrigir eu sofro, enfrento, tento fazer prevalecer minha opinião, fico com rancor da pessoa, etc... Assim, toda vez que esta situação se apresentar, se a tratarmos como obsessão (não que não exista destas), como perturbação dos irmãos inferiores, estaremos errando em: 1) Tirar a responsabilidade dos reais atuantes para estes estados, delegando a causa a um agente externo, que pode não existir no momento;  2) Empurrar a neurose poço abaixo, esmagando-a no inconsciente, de onde ela um dia certamente voltará; 3) Criar a mentalidade de que o homem é mais responsável pelos seus estados de bondade do que pelos de desarmonia.


 Assim, observamos que tal procedimento, tão comuns na atividades espiritualista, pode derrocar em fracasso e prejuízo do crescimento pessoal. O mesmo fracasso não parece, a nosso ver, quando tomarmos uma obsessão leve por uma neurose, mesmo que não o seja. Neste caso, supondo-se uma pessoa estar ou acreditar estar sob influência de um mal espírito, que lhe inflige maus pensamentos, a consideração desta por aquela pode redundar em resultados positivos, à revelia do "erro", isto porque a neurose pode ser encarada como um ser autônomo, que exige compreender-se e integrar-se.


A escola psicanalítica junguiana, embora denomine-se psicologia analítica, viu estes "entes" como outros egos, o que dava margem a tratá-los como autônomos. Visto desta forma, o fato de ser um espírito o perturbador ou um núcleo denso de sentimentos coesos e contíguos não influi no procedimento, pois o foco do processo de acesso sempre estará à caça deste intro-extra-ente, sendo posteriormente irrelevante se tratou-se de um outro-ego interno ou externo.

Muitas decorrências se dão a partir destas colocações, que sabemos serem para um trabalho mais próprio, que aqui não cabe, mas daremos cabo ainda às estradas abertas aqui.

É um ponto vista numa constelação de propostas e saberes que, como todos eles, será julgado pelo tempo, e pelo espaço...Claro!

Saudações

Rogério Temporim

  








sábado, 23 de março de 2013

Racionalismo e Sofrimento - parte 2






   Apesar do uso populesco do termo "inconsciente", há uma distância do seus significados leigo e psicanalítico (tecnico).


   Um complexo inconsciente, moldado a partir da repressão numa operação do tipo o que eu quero x o que eu devo, pode agir autônomo como um verdadeiro "ente" e, em situações específicas, detonar os sintomas psíquicos de patologia, como o pânico. Quando ocorre a situação extrema( a mangueira já estourou...), o antidepressivo é quase inevitável, mas se não verificarmos onde está o prego que furou a mangueira, tudo certamente voltará como este mesmo sintoma, ou ficará guardado, vazando por outras áreas da vida.

   O racionalismo do dia-a-dia não é capaz de fundamentalmente cobrir todo o espectro das emoções. Se não nos dedicarmos a admitir o que sentimos e achamos, contrariando o que nos "é deixado" sentir e achar, iremos criar esses monstros turvos em nossa alma, de nossa inteira prole e responsabilidade.

  Aos espiritualistas, que encaram muitas vezes esses seres scomo entidades externas (como no meu caso), pouco vai mudar. A porta para o desencadeamento de tudo isto está em nossas escolhas, em encarar ou esconder, entre a mentira e a verdade, dentro de nós mesmo.

Rogério Temporim

sábado, 2 de março de 2013

Racionalismo e Sofrimento - Parte 1

Por Rogério Temporim


   Quando fui acometido de depressão há mais ou menos 10 anos atrás, e um ansiolítico reestabeleceu meu equilíbrio orgânico, fiquei a pensar em como os renascentistas ou gregos resolveriam isto, se não tinham ainda a sertralina ou a imipramina, nem cloridrato manipulado nenhum... Ficava pensando no quando deveriam sofrer e eu mesmo sofria por eles... Sofri por Sócrates e a sicuta, por Galileu e sua luneta, até por Dom Quixote... Mas então  Jean-Yves Leloup me fez crer em algo. Não em Deus, o que já possuia antes de lê-lo *(padre ortodoxo), mas que os sofrimentos psíquicos modernos nasceram quase todos junto com a mesma modernidade... e hoje acredito nisto inteiramente. Vamos conversar disso?

----------------




  A vida cotidiana no mundo interligado nos fez acreditar que a razão deveria explicar a tudo. O transcendente, o espiritual, seria apenas acessório de um ser humano capaz de, com paradigmas matemáticos e precisos, dominar a máquina do mundo e de sua própria natureza. Mas não é assim que acontece de madrugada, após o dia "útil", na nossa inutilidade informal...

   Ao primeiro acontecimento extra-capital: um falecimento em família, um exaurir de forças frente a rotina extressante, uma intriga entre amigas por um motivo de amigas, somos, então, confinados em sentimentos e balburios que nos obrigamos a espremer para dentro do ser, já que o normal é o  "equilíbrio", para trabalhar, receber clientes, jantar com a família do companheiro(a), ficar na fila do mercado, e aí vai...

   Estes conteúdos  ricos, embora trevosos, são então empurrados escada abaixo para os porões da consciência; Ah! Mas ganham autonomia daqui a  pouco, retornam como monstros pelas mesmas escadas, e ficam a esmurrar violentamente a porta. Como neste mundo moderno temos a máscara da normalidade e o racionalismo como visitas constante na sala da consciência, nossa preocupação com a portinhola deste porão trás por resultado depressão e pânico.

   Vamos por hora refletir nesta imagem?