sábado, 23 de março de 2013

Racionalismo e Sofrimento - parte 2






   Apesar do uso populesco do termo "inconsciente", há uma distância do seus significados leigo e psicanalítico (tecnico).


   Um complexo inconsciente, moldado a partir da repressão numa operação do tipo o que eu quero x o que eu devo, pode agir autônomo como um verdadeiro "ente" e, em situações específicas, detonar os sintomas psíquicos de patologia, como o pânico. Quando ocorre a situação extrema( a mangueira já estourou...), o antidepressivo é quase inevitável, mas se não verificarmos onde está o prego que furou a mangueira, tudo certamente voltará como este mesmo sintoma, ou ficará guardado, vazando por outras áreas da vida.

   O racionalismo do dia-a-dia não é capaz de fundamentalmente cobrir todo o espectro das emoções. Se não nos dedicarmos a admitir o que sentimos e achamos, contrariando o que nos "é deixado" sentir e achar, iremos criar esses monstros turvos em nossa alma, de nossa inteira prole e responsabilidade.

  Aos espiritualistas, que encaram muitas vezes esses seres scomo entidades externas (como no meu caso), pouco vai mudar. A porta para o desencadeamento de tudo isto está em nossas escolhas, em encarar ou esconder, entre a mentira e a verdade, dentro de nós mesmo.

Rogério Temporim

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